A DOR QUE MACHUCA É A DOR QUE ENSINA.

POR MAIS QUE CHORES E SOFRAS SEMPRE HAVERÁ UMA SAÍDA.

O TEMPO MUDA AS PESSOAS, MAS AS PESSOAS MUDAM COM O TEMPO.


ELMAR - O CONSELHEIRO CERTO PARA AS HORAS INCERTAS.


24/10/2010

COMO VEJO O AMOR / 3ª PARTE



Temos aqui uma curta e eloqüente demonstração da diferença entre um ego agindo por si mesmo e um ego agindo sob a influência do amor. O ego se preocupa apenas consigo mesmo, mas o amor é paciente e é bom. O ego é invejoso, procurando sempre inflar-se com as ilusões de poder e controle absolutos, mas o amor não se vangloria e não se envaidece.


O ego, abandonando-se ao seu egocentrismo, irá sempre trair, mas o amor jamais há de falhar. O ego sabe somente defender-se a si mesmo e aos seus desejos, mas o amor não procura seus próprios interesses. O amor defende tudo da vida: suporta todas as coisas, crê em todas as coisas, resiste a todas as coisas. Por isso criticamos o amor romântico, e esta é a principal distinção entre o amor humano e o amor romântico: o romance, pela sua própria natureza, está fadado a degenerar para o egoísmo, pois ele não é um amor dirigido a outro ser humano.


A paixão do romance é sempre dirigida às nossas projeções, às nossas expectativas, ás nossas fantasias. Na verdade, não é o amor que se sente por uma pessoa, mas o que sentimos por nós mesmos. Deve ficar claro agora, que à medida que um relacionamento se baseia em projeções, o componente do amor humano esta ausente. Estar apaixonado por alguém que não se conhece como indivíduo e sentir-se atraído porque esse alguém que não se conhece e sentir-se atraído porque esse alguém reflete a imagem do deus ou da deusa que esta na alma, significa, num certo sentido, estar apaixonado por si mesmo, não pelo outro.


Apesar da aparente beleza das fantasias de amor que poderemos ter nesse estado de estarmos apaixonados, poderemos, de fato, estar num estado mental totalmente egoísta. Somente existe o verdadeiro amor quando uma pessoa passa a reconhecer o outro por aquilo que ele realmente é como ser humano, e começa por gostar dele e a se importar com ele como tal. Ser capaz de um verdadeiro amor significa amadurecer, ter atitudes realísticas para com o outro. Significa aceitar a responsabilidade pela nossa própria felicidade ou infelicidade; e não esperar que o outro nos faça feliz, nem culpá-lo por nosso mau humor ou por nossas frustrações.


Quando nos centramos em nossas projeções, estamos centrados em nós mesmos, e a paixão e o amor que sentimos por essas projeções é um amor reflexivo, circular, que inevitavelmente se volta para nós mesmos. Mas aqui, de novo, mergulhamos de cabeça no paradoxo do amor romântico. O paradoxo é que devemos amar nossas projeções e que devemos amar nós mesmos.


No romance, o amor do self torna-se distorcido, torna-se egocêntrico e sua natureza primária é perdida. Mas se aprendermos a procurá-lo na sua própria dimensão, o amor do self é um amor real e válido; é a segunda grande corrente de energia que flui para o amor romântico, é o par arquetípico do amor humano, a outra face de Eros. Precisamos respeitar as partes projetadas, inconscientes, de nós mesmos.


Quando amamos nossas projeções, honramos nossos ideais românticos e nossas fantasias, damos existência a dimensões extremamente preciosas do nosso self total. A grande charada esta em amar o próprio self sem cair no egoísmo. A medida que aprendemos a conhecer a geografia da psique humana, com suas ilhas de consciência, sua estrutura de muitas camadas e muitos centros, vemos que o amor do self total não pode ser uma centralização do universo em nosso ego.


O amor do self é a busca empreendida pelo ego para encontrar as pessoas do mundo interior que se ocultam dentro de nós; é a falta que o ego sente das vastas dimensões do inconsciente, sua disposição em abrir-se para as outras partes do nosso ser total e para seus pontos de vista, seus valores e suas necessidades.


Compreendido desta forma, o amor que emana de nosso self é também o amor divino; a nossa busca do supremo significado, de nossa alma, da revelação de Deus. Portanto acho que o maior dos ensinamentos é conhecer-se a si mesmo; pois quando o homem conhece-se a si mesmo, ele conhece a Deus.


Elmar